Quando a operação passa a depender da planilha
Todo sistema sob medida começa, de algum jeito, como planilha. Ela nasce simples e vai ganhando uma aba por mês, uma coluna de status, cores que só quem criou entende e uma fórmula em que ninguém pode mexer. Duas pessoas editam ao mesmo tempo e uma apaga o que a outra fez. O relatório do fim do mês depende de alguém copiar e colar por uma tarde inteira. Quando essa pessoa sai de férias, o processo para junto.
A alternativa costuma ser um software pronto, e aí o problema muda de lado: a equipe adapta um processo que funcionava para caber nas telas de outra empresa, paga por módulos que não usa e mantém uma planilha paralela para o que o sistema não cobre. Pesar essa escolha com critério, antes de gastar com qualquer uma das duas, é o assunto de sistema sob medida ou software pronto.
Como desenhamos e construímos o sistema
No desenvolvimento de sistemas sob medida, o ponto de partida é o processo, não a tela. Acompanhamos um pedido, uma ordem de serviço ou um cadastro do começo ao fim, anotando quem faz cada etapa e, principalmente, as exceções: o cliente que paga em duas vezes, o pedido que volta, o item sem código. É nas exceções que o sistema ganha ou perde a confiança da equipe.
Com o processo desenhado, fechamos o escopo da primeira versão. Ela resolve o trecho que mais custa hoje e deixa o resto para depois, porque sistema que tenta nascer completo demora e chega desatualizado. A entrega é uma aplicação web (abre no navegador, sem instalar nada), com login por pessoa, permissão por função e histórico de quem alterou cada registro. O que continua em uso, como o ERP ou o emissor de nota fiscal, é ligado por integração de sistemas em vez de redigitado. Os caminhos possíveis para essa conexão estão em como fazer ERP, CRM e planilhas conversarem.
O risco fica contido pelo método de entrega. O sistema é construído num ambiente separado da operação, e a planilha atual continua valendo enquanto isso. O teste usa os dados reais da empresa, importados da planilha de verdade, com as linhas tortas, os campos em branco e o cliente cadastrado duas vezes. Quando há dado pessoal nessa cópia, o acesso fica restrito a quem está no projeto. Cada versão sobe com a anterior guardada e com o caminho de volta do banco de dados escrito antes da atualização, então uma versão que se comporte mal é revertida de forma planejada, não improvisada às pressas com a equipe esperando.
O que muda depois da entrega
A informação passa a ter um endereço só. O status do pedido está no sistema, e não na memória de quem atendeu o telefone. O relatório que levava uma tarde sai de uma consulta, e os dados já ficam organizados para virar painel de indicadores quando a diretoria quiser acompanhar números em tela.
O controle de acesso também muda de lugar. Quem entra na empresa recebe acesso num ponto só, com a permissão da função que exerce, e quem sai tem o acesso cortado no mesmo ponto. A LGPD espera que quem trata dado pessoal adote medidas de segurança, e saber quem vê e quem altera cada cadastro é uma das primeiras. O que mais precisa estar em ordem está em LGPD em sites e sistemas.
Por fim, o sistema passa a evoluir em versões pequenas, cada uma passando pelo mesmo ambiente de teste antes de chegar à equipe. As tarefas repetitivas que sobram em volta dele, como avisar o cliente de que o pedido saiu ou gerar um documento a partir de um cadastro, viram candidatas a automação de processos.
O que decidir antes de começar
- Quem é o dono do processo: a pessoa que decide a regra quando duas áreas discordam. Sem ela, o escopo muda a cada reunião.
- Quais sistemas ficam e quais saem, e quem tem acesso administrativo a cada um deles para liberar a integração.
- Qual trecho do processo entra na primeira versão. A tentação é colocar tudo; o que funciona é começar pelo que mais custa hoje.
- Em nome de quem ficam a conta de hospedagem e o repositório do código. Recomendamos que fiquem com a empresa, e não com o fornecedor.
- Quem da equipe testa cada versão antes de ela ir para todos. Basta uma pessoa que conheça a rotina e tenha algumas horas por semana para isso.