Como a falta de controle aparece na rotina
Infraestrutura digital para empresas é o conjunto de serviços que ninguém nota enquanto funciona: o domínio (o endereço da empresa na internet), o DNS (a tabela que diz para onde vão o site e os e-mails desse endereço), as caixas de e-mail, a hospedagem do site e os servidores dos sistemas. Ela só aparece quando algo quebra e ninguém sabe onde mexer.
O cenário comum é parecido de empresa para empresa. O domínio foi registrado pela agência que fez o primeiro site, no CPF de um sócio que já saiu ou no cartão de um ex-funcionário. A hospedagem está numa conta pessoal. O DNS tem registros apontando para serviços cancelados há anos. O sistema de nota fiscal manda e-mail em nome da empresa sem estar autorizado para isso, as notas caem no spam e o cliente liga perguntando pelo boleto. Um dia o domínio vence, o site e o e-mail param juntos, e a renovação depende de alguém que não trabalha mais ali. O que a empresa precisa ter nas próprias mãos está detalhado em domínio, DNS, e-mail e hospedagem.
Como organizamos sem derrubar o que funciona
O trabalho começa por um inventário: onde o domínio está registrado e quem é o titular, quem administra o DNS e o que cada registro faz, onde ficam as caixas de e-mail, quem paga cada serviço e quem tem senha de quê. Muita coisa só aparece nessa etapa, como o subdomínio de um sistema antigo que ainda recebe acesso ou a configuração de e-mail de um fornecedor que a empresa nem lembrava que usava.
Com o mapa na mão, a arrumação segue uma ordem. Primeiro a titularidade: domínio e contas administrativas passam para o CNPJ, com login por pessoa e autenticação em dois fatores, assunto aprofundado em autenticação em dois fatores e gestão de acessos. Depois o e-mail. Os registros SPF, DKIM e DMARC dizem aos provedores de quem recebe quais servidores podem enviar em nome do seu domínio e o que fazer com a mensagem que não passa na conferência. O DMARC entra primeiro em modo de observação, que só coleta relatórios, e é apertado depois que todos os remetentes legítimos, como o sistema de nota e a ferramenta de e-mail marketing, estão autorizados. Por que isso decide se a mensagem vai para a caixa de entrada está explicado em SPF, DKIM e DMARC. Por último vêm hospedagem e servidores: HTTPS em tudo, atualização de segurança em dia e publicação por script, no lugar de alguém entrando no servidor para alterar arquivo na mão.
Toda mudança segue o nosso método de entrega. O ambiente novo, seja um servidor ou um provedor de e-mail, é montado ao lado do atual, que continua atendendo. Ele é testado com o site e as caixas reais antes de receber o endereço. A zona de DNS em uso é exportada e guardada antes de qualquer alteração, e o TTL (o tempo que outros servidores guardam a resposta antiga) é reduzido com antecedência, para que a troca e, se preciso, a volta se espalhem depressa. Voltar é reaplicar a configuração guardada, e o ambiente antigo só é desligado depois que o novo se prova.
O que muda depois
A empresa passa a ter um documento com tudo o que existe, onde está, quem acessa e quando vence. Trocar de agência ou de fornecedor deixa de ser uma negociação de refém, porque as contas são dela. As notas e os boletos enviados pelo sistema passam a ser reconhecidos pelos provedores como mensagens legítimas do seu domínio. E a base fica pronta para as camadas seguintes: cópia de segurança guardada fora do servidor principal, com backup e continuidade, e aviso quando um serviço sai do ar ou um certificado de HTTPS está perto de vencer, com monitoramento de sites e sistemas.
O que ter em mãos antes de começar
- Uma lista, mesmo incompleta, de quem já mexeu na parte técnica: agência, freelancer, provedor de internet, ex-funcionário.
- O CNPJ e os dados do responsável legal, para a transferência de titularidade.
- Os sistemas que mandam e-mail em nome da empresa: nota fiscal, cobrança, CRM, loja virtual, e-mail marketing.
- A decisão de quem, dentro da empresa, será o administrador principal das contas. Podem ser duas pessoas, mas não pode ser nenhuma.
- O acesso aos painéis que a empresa já tiver, ou disposição para recuperá-los junto conosco quando a senha se perdeu.