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Domínio, DNS, e-mail e hospedagem: o que a empresa precisa controlar
Quem é o titular do domínio, onde fica o DNS e quem tem a senha de cada painel: o mínimo que a empresa precisa ter em mãos para não perder o site e o e-mail.
Por Equipe Locomotiva Tech ·

Em resumo
- O domínio .com.br da empresa deve estar registrado no Registro.br em nome do CNPJ dela, com o contato do titular sendo um sócio ou gestor, e não a agência ou um funcionário.
- O DNS é a lista que diz para onde vão o site (registros A, AAAA e CNAME) e o e-mail (registro MX); quem controla os servidores de nomes controla os dois.
- Trocar os servidores de nomes sem recriar antes todos os registros da zona derruba o e-mail e as verificações de serviços, mesmo que o site novo entre no ar.
- A empresa precisa de um inventário com cada painel (domínio, DNS, e-mail, hospedagem, certificado), em nome de quem ele está, quem acessa e quando vence.
Cuidar de domínio e hospedagem para empresas é cuidar de quatro coisas diferentes, que costumam ser tratadas como uma só: o domínio (o nome, registrado no Registro.br), o DNS (a lista que diz para onde esse nome aponta), o e-mail e a hospedagem do site. A empresa precisa ser a dona do domínio, no próprio CNPJ, e saber quem tem acesso a cada um dos outros três painéis.
Este guia é para o sócio ou gestor que herdou um site feito por uma agência, por um sobrinho ou por um funcionário que já saiu. Quando essas peças ficam espalhadas, o problema aparece no pior dia: o domínio vence e o aviso foi para o e-mail de quem saiu, ou a agência nova troca o DNS e o e-mail para de chegar.
Quem deve ser o titular do domínio da empresa
Domínios .br são registrados no Registro.br, diretamente ou por meio de um provedor de serviços credenciado. Segundo a página de ajuda do Registro.br sobre registro de novos domínios, pode registrar qualquer empresa ou pessoa legalmente estabelecida no Brasil, com CNPJ ou com CPF de maior de idade. O .com.br está na categoria de domínios genéricos e não pede documentação extra.
Para a empresa, a regra é uma só: o titular é o CNPJ da empresa. Não o da agência que fez o site, nem o CPF do sócio ou do funcionário que cuidava da internet. Trocar depois é possível, mas vira procedimento administrativo, com solicitação assinada eletronicamente por quem representa o titular atual. Se ele é uma agência com quem a relação terminou mal, você depende da boa vontade dela.
Um detalhe que confunde: o domínio pertence ao CNPJ, mas quem administra é sempre uma pessoa física, com usuário no próprio nome. A página de gerenciamento de conta do Registro.br explica que o cadastro com dados reais é a única forma de provar a quem pertence o usuário se a senha se perder.
Os quatro contatos de um domínio .br
- Contato do titular: mantém os dados do CNPJ, registra domínios novos e troca os demais contatos. Tem de ser alguém da empresa.
- Contato administrativo: altera os servidores DNS e troca os contatos técnico e de cobrança.
- Contato técnico: altera os servidores DNS.
- Contato de cobrança: recebe os avisos de renovação.
O próprio Registro.br recomenda que os contatos administrativo e de cobrança sejam da empresa titular e diz que é usual o técnico ser do provedor. Delegar só o contato técnico basta para a agência fazer qualquer alteração técnica, sem passar a mandar no domínio.
Ative o token (a verificação em duas etapas do Registro.br) em todos os usuários que são contato do domínio. É o mesmo princípio de autenticação em dois fatores e gestão de acessos que vale para o e-mail e para o banco.
Renovação: quando o domínio vence, site e e-mail param juntos
Pela página de pagamento do Registro.br, o aviso de cobrança vai por e-mail para os contatos do domínio no registro e 30 dias antes de cada vencimento. Sem pagamento, o domínio é congelado e, depois de um período, liberado para outra pessoa registrar. Congelado significa fora do ar: o site some e o e-mail para de chegar ao mesmo tempo.
- Tenha pelo menos um contato com e-mail fora do próprio domínio. Se o domínio congelar, o link de recuperação de senha enviado para contato@suaempresa.com.br não chega.
- Pague a renovação por mais de um ano; o Registro.br aceita até dez de uma vez.
- Se o seu provedor oferece renovação automática, deixe ligada com um cartão da empresa. Se não oferece, o vencimento vai para a agenda do financeiro, não para a de uma pessoa.
O que é DNS e quais registros importam
DNS (Domain Name System) é o sistema que traduz o nome do domínio nos endereços que os computadores usam. Na prática, é uma lista de registros, chamada zona, guardada em servidores de nomes.
| Registro | Para que serve | Exemplo em exemplo.com.br |
|---|---|---|
| A | Aponta o nome para um endereço IPv4 | exemplo.com.br para 203.0.113.10 |
| AAAA | O mesmo, para endereço IPv6 | exemplo.com.br para 2001:db8::10 |
| CNAME | Torna um nome apelido de outro | www como apelido de exemplo.com.br |
| MX | Indica os servidores que recebem o e-mail, com prioridade | prioridade 10 para o provedor de e-mail |
| TXT | Guarda texto: verificação de posse, SPF, DKIM, DMARC | "v=spf1 include:... ~all" |
O registro NS diz quais servidores de nomes respondem pela zona. O TTL (time to live) é o tempo, em segundos, que outros servidores guardam uma resposta antes de perguntar de novo; TTL alto é o motivo de uma mudança "demorar" a valer. E a raiz do domínio (exemplo.com.br, sem www) não aceita CNAME, por regra do próprio DNS. Por isso as plataformas de site pedem um registro A para a raiz e um CNAME para o www.
Os TXT merecem atenção. Neles ficam as verificações de posse do Google Search Console e do gerenciador de negócios da Meta, e também o SPF, o DKIM e o DMARC, que decidem se o e-mail chega na caixa de entrada. Explicamos cada um em SPF, DKIM e DMARC: por que os e-mails da empresa caem no spam. Apagar um TXT porque "ninguém sabe o que é" costuma desligar alguma coisa em silêncio.
Onde fica o DNS e o risco de trocar os servidores de nomes
O domínio é registrado num lugar; a zona de DNS pode morar em outro. Quem decide são os servidores de nomes informados no Registro.br. As situações mais comuns:
- DNS do próprio Registro.br, editado no mesmo painel do domínio.
- DNS da hospedagem, quando ela pediu para trocar os servidores de nomes para os dela.
- DNS de um serviço especializado, como Cloudflare ou Amazon Route 53.
Quem controla a zona controla o site e o e-mail. E trocar os servidores de nomes troca a zona inteira de uma vez: o novo provedor passa a responder só com o que estiver cadastrado nele.
O cenário típico: a agência nova pede para apontar os servidores de nomes para a hospedagem dela e cadastra lá só o registro A do site. O site novo entra no ar e, no mesmo dia, o e-mail para de chegar, porque os registros MX ficaram na zona antiga. Dias depois cai a verificação do domínio no Google, porque o TXT também ficou para trás.
Para trocar sem susto:
- Copie todos os registros da zona atual, inclusive os de subdomínios. Se o painel não exporta, faça capturas de tela.
- Recrie tudo no novo provedor antes da troca: A, AAAA, CNAME, MX e todos os TXT.
- Compare o que cada lado responde, consultando o servidor novo diretamente.
- Se possível, reduza o TTL dos registros um dia antes.
- Troque os servidores de nomes e mantenha os antigos respondendo. O Registro.br publica alterações a cada 5 minutos e prevê uma transição de 24 horas, durante a qual os servidores anteriores devem continuar respondendo de forma consistente com os novos.
- Teste o site, o envio e o recebimento de e-mail e as verificações de serviços.
A comparação do passo 3 cabe em duas linhas de terminal:
# o que o DNS atual responde para o e-mail
dig MX exemplo.com.br +short
# o que o novo provedor vai responder, antes da troca
dig @ns1.novo-provedor.example MX exemplo.com.br +short
Se o domínio usa DNSSEC (a assinatura digital da zona), o registro DS cadastrado no Registro.br precisa corresponder às chaves do novo provedor. Se não corresponder, o domínio deixa de resolver para quem valida DNSSEC, e o problema parece intermitente.
E-mail corporativo não depende da hospedagem do site
O que liga o domínio ao e-mail são os registros MX, e eles podem apontar para um serviço diferente do que hospeda o site, como uma suíte de escritório (Google Workspace, Microsoft 365). Com e-mail e site separados, dá para trocar de agência ou de hospedagem sem mexer no e-mail.
O que a empresa precisa controlar no e-mail:
- A conta de administrador está em nome da empresa, com verificação em duas etapas, e há pelo menos dois administradores.
- Quando alguém sai, a conta é suspensa e a caixa transferida, não apagada no mesmo dia. Pedido de cliente e nota fiscal costumam estar lá.
- Endereços de função (financeiro@, contato@) são grupos ou caixas compartilhadas, não a caixa pessoal de alguém.
- Todo serviço que envia e-mail em nome do domínio (ERP, emissor de nota, ferramenta de marketing, formulário do site) está listado e autenticado.
A lixeira da suíte também não substitui backup com cópia fora do provedor: conta apagada por engano ou invadida leva as mensagens junto.
Hospedagem compartilhada, VPS ou plataforma gerenciada
A hospedagem é onde o site ou o sistema roda. Os três modelos mais comuns resolvem problemas diferentes:
| Modelo | O que é | Quem cuida do servidor | Faz sentido para |
|---|---|---|---|
| Compartilhada | Um servidor dividido com muitos sites, com painel pronto | O provedor | Site institucional simples |
| VPS | Máquina virtual só sua, para configurar | Você ou quem você contratar | Sistema sob medida, vários sites |
| Plataforma gerenciada | Serviço que roda o site ou a aplicação sem expor o servidor | O provedor, dentro das regras dele | Site com publicação automática, loja, aplicação que precisa crescer |
A pergunta que decide é quem vai manter. VPS sem ninguém aplicando atualização de segurança é servidor esperando para ser invadido; hospedagem compartilhada lotada é o site lento na hora da campanha. Em qualquer modelo, a conta fica no nome da empresa, com cobrança num cartão da empresa e um backup que você consegue baixar.
Certificado HTTPS
O certificado é o que permite o endereço com https e o cadeado no navegador. Sem ele, o navegador avisa que o site não é seguro. Boa parte das hospedagens e plataformas emite certificado gratuito e renova sozinha, e essa renovação automática deixou de ser opcional: o CA/Browser Forum, que reúne emissores de certificado e fabricantes de navegador, aprovou em 2025 a redução em etapas da validade máxima dos certificados, começando em março de 2026 e chegando a 47 dias em março de 2029. Renovação à mão não acompanha esse ritmo. Coloque o vencimento do certificado e do domínio no monitoramento do site, para saber antes do visitante.
Inventário de acessos: quem tem a senha de quê
O inventário é uma tabela simples, guardada num lugar que a diretoria acessa, com uma linha por serviço. A senha não vai na planilha: fica num gerenciador de senhas da empresa, e a planilha diz onde está.
| Serviço | Onde está | Em nome de | Quem acessa | Vence em |
|---|---|---|---|---|
| Domínio | Registro.br | CNPJ da empresa | Sócio e agência (técnico) | Expiração do domínio |
| DNS | Registro.br ou outro serviço | Empresa | Quem edita a zona | Assinatura, se houver |
| Suíte ou hospedagem | Empresa | Dois administradores | Renovação da assinatura | |
| Hospedagem | Provedor escolhido | Empresa | Quem publica o site | Renovação do plano |
Para cada linha, três perguntas: se quem tem o acesso sair amanhã, alguém mais entra? A recuperação de senha vai para um e-mail que a empresa controla? A conta está no nome da empresa ou de um fornecedor?
Inclua as contas que dependem do domínio mas moram fora dele: Google Search Console, Google Analytics, perfil da empresa no Google, gerenciador de negócios da Meta. Todas pedem verificação por DNS ou por e-mail do domínio, e quase sempre foram criadas por quem mexia no site na época, com a conta pessoal dessa pessoa.
Checklist: o que a empresa deve ter em mãos
- Domínio .com.br no CNPJ da empresa, com sócio ou gestor como contato do titular.
- Contatos administrativo e de cobrança da empresa; o técnico pode ser do fornecedor.
- Token ativado nos usuários do Registro.br e pelo menos um contato com e-mail fora do domínio.
- Vencimento do domínio na agenda do financeiro, com renovação paga com folga.
- Servidores de nomes conhecidos e uma cópia atual de todos os registros da zona.
- Lista dos serviços que enviam e-mail em nome do domínio.
- Contas de e-mail e de hospedagem em nome da empresa, com dois administradores e backup que pode ser baixado.
- Certificado HTTPS com renovação automática e vencimento monitorado.
Por onde começar quando ninguém sabe onde está nada
Comece pela pesquisa de domínio no site do Registro.br. Ela mostra o titular, os contatos e os servidores de nomes, e em poucos minutos você sabe no nome de quem o domínio está. Pelos servidores de nomes, você descobre onde está a zona. Pela zona, descobre onde estão o site (registros A e CNAME) e o e-mail (registro MX). Se o titular não é o CNPJ da empresa, resolva isso primeiro, enquanto a relação com quem está no cadastro é boa.
Esse levantamento é parte do nosso trabalho de infraestrutura digital: mapeamos domínio, DNS, e-mail e hospedagem, passamos titularidade e contas para o nome da empresa e deixamos o inventário pronto. Troca de DNS segue o mesmo método das outras entregas: a zona nova é montada e testada antes da virada, e a volta aos servidores antigos fica documentada.
Dúvidas
Perguntas frequentes
- Posso transferir um domínio registrado no meu CPF para o CNPJ da empresa?
- Sim, no caso do .com.br, que é da categoria de domínios genéricos. A troca de titular é um procedimento administrativo do Registro.br: a solicitação é gerada no sistema, assinada eletronicamente pelo titular atual e enviada com os documentos do novo titular, como o comprovante de inscrição do CNPJ.
- Quanto tempo demora para uma mudança de DNS valer?
- Depende de dois fatores: quando o servidor de nomes publica a alteração e por quanto tempo os outros servidores guardam a resposta antiga em cache, que é o TTL de cada registro. Uma mudança de registro com TTL curto vale em minutos; uma troca de servidores de nomes no Registro.br passa por um período de transição de 24 horas.
- Preciso contratar hospedagem para ter e-mail com o domínio da empresa?
- Não. O e-mail é ligado ao domínio pelos registros MX, que podem apontar para uma suíte de escritório ou para um provedor só de e-mail, sem relação com o lugar onde o site está hospedado. Muitas empresas têm o site num lugar e o e-mail em outro.
- A agência que faz o site pode ficar como contato do domínio?
- Pode, como contato técnico, que é o que ela precisa para mexer nos servidores de nomes. O contato do titular, o administrativo e o de cobrança devem ser pessoas da própria empresa, porque são eles que decidem sobre o domínio e recebem os avisos de vencimento.
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