Construir9 min de leitura

Como escolher uma software house: o que perguntar antes de contratar

O que diferencia uma software house de freelancer e agência, o que conferir antes de assinar, as perguntas para a primeira reunião e os sinais de que é melhor seguir procurando.

Por Equipe Locomotiva Tech ·

Equipe de desenvolvedores reunida em volta de um computador, discutindo um projeto num escritório.
Foto: cottonbro studio / Pexels

Em resumo

  • Software house é uma empresa cuja atividade principal é desenvolver software para terceiros, com equipe e processo que não dependem de uma pessoa só, ao contrário do freelancer.
  • Antes de contratar, confira quem vai trabalhar no projeto, como é o levantamento, se há ambiente de teste, como as entregas são aprovadas e o que acontece depois da entrega.
  • O código deve ficar num repositório em nome da sua empresa desde o primeiro dia, assim como a hospedagem e o domínio, e o contrato deve dizer o que é seu e o que é licenciado.
  • Preço fechado sem levantamento, prazo curto demais, código na conta do fornecedor e falta de contrato com escopo são os sinais de alerta mais comuns.

Software house é uma empresa cuja atividade principal é desenvolver software para outras empresas: sistemas sob medida, integrações, aplicativos e, às vezes, produtos próprios. Escolher uma software house depende menos da tecnologia que ela usa e mais de como ela trabalha: como entende o seu processo, como mostra o andamento, em nome de quem deixa o código e o que acontece depois da entrega.

Este guia é para quem vai contratar o desenvolvimento de um sistema e tem duas ou três conversas marcadas com fornecedores. Ele mostra o que diferencia uma software house de outros prestadores, o que conferir em cada proposta, as perguntas para a primeira reunião e os sinais de que é melhor continuar procurando.

O que é uma software house e como ela difere de freelancer e agência

Os três podem entregar software, mas assumem responsabilidades diferentes. A tabela resume as diferenças mais comuns; há bons e maus profissionais em todos os modelos.

Critério Software house Freelancer Agência de marketing
Foco Sistemas, integrações e aplicativos O que a pessoa domina Comunicação, campanhas, sites e redes sociais
Quem faz Equipe com papéis definidos (análise, desenvolvimento, teste, infraestrutura) Uma pessoa Equipe de criação, com desenvolvimento às vezes terceirizado
Continuidade Não depende de uma pessoa só Para se a pessoa adoece, muda de emprego ou lota a agenda Depende de quem foi subcontratado
Processo Levantamento, ambiente de teste, entregas por etapa Varia muito de pessoa para pessoa Pensado para peças e campanhas
Depois da entrega Contrato de manutenção e evolução Conforme a disponibilidade Costuma cobrir o site, não um sistema
Indicado para Sistema que a operação usa todo dia Ajuste pontual ou projeto pequeno e bem definido Site institucional, landing page, campanha

Nenhum dos três é melhor em tudo. Um freelancer experiente resolve muito bem um projeto pequeno e delimitado, e uma boa agência faz um site que gera contato. O problema aparece quando o sistema que vai rodar a operação inteira fica com quem não tem estrutura para mantê-lo funcionando por anos.

O que conferir antes de contratar uma software house

Quem vai trabalhar no projeto

Na reunião comercial aparece quem vende. Pergunte quem vai fazer: quem conduz o levantamento, quem programa, quem testa, quem responde quando algo quebra. Pergunte também se alguma parte será repassada a terceiros. Projeto em que o responsável técnico muda no meio do caminho perde contexto, e contexto custa caro para reconstruir.

Como é feito o levantamento

Levantamento é a etapa em que o fornecedor entende o processo antes de propor uma solução. Um bom levantamento acompanha a rotina real, abre as planilhas, conversa com quem executa (e não só com quem gerencia) e lista as exceções. Se a proposta chega depois de uma ligação de vinte minutos, ela foi montada sobre suposições.

Ambiente de teste e aprovação das entregas

Pergunte onde você vai ver o sistema antes de a equipe começar a usar. O esperado é existir um ambiente de teste, separado da operação, com endereço próprio, onde cada versão é validada. Pergunte também como uma entrega é aprovada: quem da sua empresa testa, com que dados e o que acontece se a versão não passar.

Quem é dono do código e dos dados

A Lei do Software (Lei 9.609/1998), no artigo 4º, atribui ao contratante os direitos sobre o programa desenvolvido durante um contrato de prestação de serviço destinado a isso, salvo estipulação em contrário. É essa ressalva que pesa: vale o que o contrato disser. Muitas software houses reaproveitam componentes próprios em vários clientes e os licenciam em vez de transferir, o que é legítimo desde que esteja escrito. Os dados da operação são da sua empresa, e o contrato deve dizer como exportá-los, em que formato e em quanto tempo.

Repositório e hospedagem em nome da empresa

O repositório é onde o código-fonte fica guardado, com o histórico de cada alteração. Ele deve estar numa conta da sua empresa desde o primeiro dia, com o fornecedor como colaborador, e não o contrário. O mesmo vale para a hospedagem, o domínio e as contas de serviços de apoio, como o envio de e-mail. Se a relação terminar, você retira o acesso e segue; se estiver tudo na conta do fornecedor, você negocia. O texto sobre domínio, DNS, e-mail e hospedagem mostra o que precisa estar em nome de quem.

Documentação e suporte depois da entrega

Documentação é o que permite a outra pessoa entender o sistema: como instalar, como ele está organizado, quais são as regras de negócio, como restaurar um backup. Pergunte o que é entregue e em que momento. No suporte, pergunte o prazo de resposta para uma falha que para a operação, para uma falha menor e para uma dúvida de uso, e se isso está no contrato ou depende de boa vontade.

LGPD e segurança

Quando a software house hospeda ou acessa os dados do seu sistema, em geral ela atua como operadora, e a LGPD, no artigo 39, determina que o operador trate os dados segundo as instruções do controlador, que é a sua empresa. Pergunte quem da equipe acessa dados de produção, como as senhas são guardadas, se o ambiente de teste usa cópia de dado pessoal e com que cuidado, e como um incidente seria comunicado a você. O básico do que precisa estar em ordem está em LGPD em sites e sistemas.

Contrato com escopo

O contrato deve trazer o escopo descrito (o que entra e o que fica de fora), o modelo de cobrança, como mudanças são pedidas e aprovadas, a garantia sobre falhas da entrega, a propriedade do código, a confidencialidade, o tratamento de dados e o que acontece na rescisão, incluindo a entrega do código, da documentação e dos dados.

Perguntas para fazer na primeira reunião

Leve esta lista impressa e faça as mesmas perguntas a todos os fornecedores:

  1. Quem da sua equipe vai trabalhar no meu projeto, e quem é o responsável técnico?
  2. Como vocês fazem o levantamento, e quanto tempo de pessoas da minha empresa ele exige?
  3. O orçamento sai antes ou depois do levantamento? O levantamento é cobrado à parte?
  4. Vou ter um ambiente de teste? Com que frequência vejo uma versão nova funcionando?
  5. Como uma entrega é aprovada, e o que acontece se ela não passar no teste?
  6. O código fica num repositório em nome da minha empresa desde o início?
  7. Quais partes são componentes de vocês reaproveitados, e sob que licença?
  8. Se uma atualização der problema com a operação rodando, como se volta à versão anterior?
  9. Que documentação vem junto, e em que momento?
  10. Como funciona o suporte depois da entrega, e com que prazo de resposta?
  11. Quem acessa os dados de produção, e como esse acesso é registrado?
  12. Se eu quiser trocar de fornecedor, o que outra equipe recebe para continuar o trabalho?

Anote as respostas e peça que o fornecedor as confirme por escrito depois da reunião. Comparar três empresas pelas mesmas doze perguntas revela mais do que comparar três apresentações comerciais. Para comparar também os valores, o texto sobre quanto custa desenvolver um sistema mostra o que forma o preço e o que cada proposta pode estar deixando de fora.

Sinais de alerta na proposta de uma software house

  • Preço fechado sem levantamento. Se ninguém entendeu o processo, o valor foi calculado sobre um processo imaginado. Ou há uma margem grande embutida para o imprevisto, ou a diferença volta depois em aditivos.
  • "Faz tudo em 15 dias". Prazo curto demais para um sistema que vai rodar a operação quase sempre significa que o levantamento, o teste ou a migração dos dados ficaram de fora.
  • Código na conta do fornecedor. Repositório, hospedagem ou domínio em nome da software house, sem previsão de transferência.
  • Sem contrato, ou contrato sem escopo. Acordo fechado por mensagem, ou uma proposta de uma página com "desenvolvimento do sistema" como único item.
  • Nenhuma versão até o final. Meses de trabalho sem nada funcionando para a sua equipe ver e testar.
  • Sem ambiente de teste. Cada versão vai direto para a operação, e o erro é descoberto por quem está atendendo o cliente.
  • Respostas vagas sobre propriedade, dados ou suporte. Fornecedor que desconversa sobre isso antes de assinar dificilmente vai ser mais claro quando surgir um problema.

Software house perto ou a distância: quando a proximidade faz diferença

Boa parte do desenvolvimento de um sistema funciona igual a distância: reuniões por vídeo, ambiente de teste acessível pelo navegador, repositório e quadro de tarefas compartilhados. Muitas empresas trabalham com fornecedores de outro estado sem nenhum prejuízo.

A proximidade pesa em situações específicas:

  • Levantamento no local. Quando o processo acontece num balcão, num galpão, numa obra ou numa linha de produção, ver a rotina de perto revela exceções que ninguém lembraria de contar numa reunião.
  • Equipe pouco acostumada a vídeo. Treinamento presencial costuma render mais com quem vai usar o sistema no estoque, na oficina ou no atendimento.
  • Implantação com equipamento. Leitor de código de barras, impressora de etiquetas, tablet de campo, rede interna.
  • Primeira semana em produção. Saber que alguém pode ir até a empresa se algo travar dá segurança a uma equipe que está trocando a planilha pelo sistema.

Quando o processo é todo digital e a equipe já trabalha bem por vídeo, a distância quase não pesa. Um arranjo que costuma funcionar é o misto: visita no levantamento e na implantação, o restante a distância.

Como decidir entre as software houses com quem você conversou

Monte uma tabela com os fornecedores nas colunas e as perguntas nas linhas, e preencha com as respostas por escrito. Elimine quem caiu em algum sinal de alerta. Entre os que sobrarem, prefira quem entendeu melhor o seu processo, e não quem fez a apresentação mais bonita: a qualidade das perguntas que o fornecedor fez na primeira conversa antecipa a qualidade do levantamento. Para saber o que esperar de cada fase depois da assinatura, veja as etapas do desenvolvimento de um sistema.

A Locomotiva Tech é uma software house de Taubaté que atende presencialmente todo o Vale do Paraíba e, a distância, o resto do Brasil. No desenvolvimento de sistemas sob medida, o mapeamento do processo vem antes do escopo da primeira versão, a recomendação é que repositório e hospedagem fiquem em nome do cliente e cada versão passa por um ambiente isolado antes de chegar à equipe. Para empresas da região, a página de atendimento em Taubaté e no Vale do Paraíba mostra como funcionam as visitas.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Software house ou desenvolvedor freelancer: qual sai mais barato?
Depende do tamanho e da duração do projeto. O freelancer não carrega a estrutura de uma equipe, o que pode baratear um trabalho pequeno e bem delimitado. Num sistema que vai rodar a operação por anos, pesa quem testa, documenta e assume o código quando o desenvolvedor não estiver disponível, e essa falta costuma aparecer como custo mais tarde.
Preciso assinar acordo de confidencialidade antes da primeira reunião?
Se você vai mostrar regras de preço, dados de clientes ou processos sigilosos, faz sentido pedir um acordo de confidencialidade (NDA). Na primeira conversa, porém, dá para descrever o problema sem expor nenhum dado real. As planilhas de verdade entram no levantamento, já com contrato assinado.
O que acontece com o meu sistema se a software house fechar?
Se o código está num repositório da sua empresa, com documentação e a hospedagem em seu nome, outra equipe consegue assumir o trabalho. Se tudo está na conta do fornecedor, recuperar o sistema vira negociação, e pode nem ser possível. Por isso essas condições precisam estar no contrato desde o início.
A software house pode usar componentes prontos no meu sistema?
Pode, e costuma ser bom: bibliotecas de código aberto e componentes já testados economizam tempo e reduzem erro. O que precisa ficar claro é a licença de cada um, se há custo recorrente e o que é seu, o que é licenciado e em que condições. Peça essa lista por escrito.

Continue lendo

Artigos relacionados

Dois programadores conversando diante de um monitor com código.

Construir9 min de leitura

Sistema sob medida ou software pronto: como decidir

Como escolher entre sistema sob medida, software pronto ou os dois juntos: critérios práticos, tabela comparativa, perguntas para o fornecedor e sinais de alerta.

Próximo passo

Quer isso rodando na sua operação?

Conte o cenário em poucas linhas. A gente responde com o caminho mais curto, mesmo que ele não passe por nós.