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Como funciona o desenvolvimento de um sistema, do levantamento à manutenção

Do diagnóstico à manutenção, cada etapa de um projeto de sistema sob medida: o que acontece, o que a empresa entrega e decide, o que recebe e onde os projetos costumam tropeçar.

Por Equipe Locomotiva Tech ·

Mão desenhando um esquema num tablet, com código num monitor ao fundo e notas adesivas na mesa.
Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels

Em resumo

  • O desenvolvimento de um sistema sob medida passa por diagnóstico, levantamento do processo, escopo, protótipo, desenvolvimento em ciclos, teste com dado real, treinamento, migração, ida para produção e evolução.
  • As exceções do processo, levantadas no começo, são o que mais evita retrabalho; o que ninguém contou no levantamento volta depois como custo.
  • Cada ciclo de desenvolvimento deve terminar com uma versão funcionando num ambiente de teste, validada por alguém da empresa com dados reais.
  • A ida para produção precisa de backup conferido, data fora do pico e um caminho de volta para a versão anterior, planejado antes da troca.

O desenvolvimento de um sistema sob medida passa por etapas que se repetem em quase todo projeto bem conduzido: conversa inicial e diagnóstico, levantamento do processo real, escopo da primeira versão, protótipo de telas, desenvolvimento em ciclos curtos, teste com dado real, treinamento, migração dos dados, ida para produção e, depois, suporte e evolução. O nome de cada etapa muda de fornecedor para fornecedor; a ordem e o que cada uma resolve, não.

Este guia descreve cada etapa do ponto de vista de quem contrata: o que acontece, o que a sua empresa precisa fazer ou decidir e o que costuma dar errado. Serve para quem vai começar um projeto e quer saber quanto vai ser exigido da própria equipe, e para quem já está num projeto e quer entender em que ponto ele está.

As etapas do desenvolvimento de software numa tabela

Etapa O que a empresa entrega O que a empresa recebe
1. Conversa inicial e diagnóstico O problema, quem é afetado, os sistemas atuais Avaliação se o caminho é mesmo um sistema e qual o próximo passo
2. Levantamento do processo Acesso à rotina, às planilhas e a quem executa Processo descrito, com as exceções
3. Escopo e priorização A decisão do que entra primeiro Escopo da primeira versão por escrito
4. Protótipo de telas Revisão por quem vai usar Telas navegáveis antes do código
5. Desenvolvimento em ciclos Prioridades e respostas rápidas Uma versão funcionando a cada ciclo
6. Teste e validação Uma pessoa que testa com dado real Versão aprovada para uso
7. Treinamento Tempo da equipe Pessoas treinadas e guia de uso
8. Migração de dados Os dados atuais e a conferência dos totais Dados importados e conferidos
9. Ida para produção Data combinada e acompanhamento Sistema em uso, com caminho de volta
10. Suporte e evolução Pedidos priorizados Correções, atualizações e versões novas

Algumas etapas andam em paralelo (a migração costuma ser preparada enquanto o desenvolvimento acontece), mas pular uma delas não faz o trabalho desaparecer: ele volta, mais caro, numa etapa seguinte.

Conversa inicial, diagnóstico e levantamento do processo real

Conversa inicial e diagnóstico

O que acontece. Você conta o problema, e o fornecedor tenta entender se ele pede mesmo um sistema sob medida. Às vezes a resposta é um software pronto, uma integração entre ferramentas que a empresa já tem ou uma automação pequena.

O que a empresa decide. Quem é o dono do projeto: a pessoa que conhece o processo e decide quando duas áreas discordam.

O que costuma dar errado. Chegar com a solução em vez do problema. "Quero um aplicativo" diz menos do que "os técnicos perdem a ordem de serviço e o faturamento atrasa". A solução pedida nem sempre é a que resolve.

Levantamento do processo real

O que acontece. Alguém acompanha o processo do começo ao fim: um pedido, uma ordem de serviço, um cadastro. Abre as planilhas de verdade, vê os documentos que circulam, anota quais sistemas continuam e como os dados passam de um para o outro, e conversa com quem executa, não só com quem gerencia. Quando há ERP ou CRM envolvido, o texto sobre integração de ERP, CRM e planilhas mostra o que precisa ser mapeado.

O que a empresa faz. Libera tempo de quem faz o trabalho e mostra o processo como ele é, não como está no manual.

O que costuma dar errado. Descrever só o caminho normal. As exceções (o cliente que paga em duas vezes, o pedido devolvido pela metade, o item sem código) são onde o sistema ganha ou perde a confiança da equipe. Exceção esquecida no levantamento vira retrabalho no desenvolvimento.

Escopo, priorização e protótipo de telas

Escopo e priorização: o que entra na primeira versão

O que acontece. Com o processo descrito, define-se a primeira versão: o trecho que mais custa hoje, completo o bastante para ser usado por pessoas reais. O resto vira uma lista priorizada para as versões seguintes. Esse escopo é a base do orçamento e do prazo, como mostra o texto sobre quanto custa desenvolver um sistema.

O que a empresa decide. O que fica de fora agora. É a decisão mais difícil do projeto e a que mais economiza.

O que costuma dar errado. Querer tudo na primeira versão. Sistema que tenta nascer completo demora, consome o orçamento e chega com regras que já mudaram.

Protótipo de telas

O que acontece. Antes de qualquer código, as telas principais são desenhadas e ligadas umas às outras, de modo que dá para clicar e seguir o caminho de um pedido do começo ao fim. Mudar um protótipo custa muito menos do que mudar um sistema construído.

O que a empresa faz. Revisa com quem vai usar, não só com a diretoria. O técnico de campo e a atendente enxergam problemas que o gestor não vê.

O que costuma dar errado. Aprovar o protótipo pela aparência e não pelo fluxo. Cor e logotipo mudam em minutos; um campo que falta no meio do processo pode mudar a estrutura do banco de dados.

Desenvolvimento em ciclos curtos com entregas visíveis

O que acontece. O sistema é construído em ciclos curtos, de uma a algumas semanas. No fim de cada ciclo existe uma versão funcionando no ambiente de teste, e não um relatório de andamento. As prioridades do ciclo seguinte são revistas com o que se aprendeu no anterior.

Esse desenvolvimento acontece num ambiente isolado: nada do que está sendo construído encosta na planilha ou no sistema que a operação usa até o dia da troca. É a primeira regra do nosso método, e é o que permite errar e corrigir sem que o cliente final perceba.

O que a empresa faz. Responde às dúvidas rápido e prioriza no começo de cada ciclo. Pergunta que fica uma semana sem resposta trava a equipe ou vira suposição, e suposição errada vira retrabalho.

O que costuma dar errado. Pedidos que chegam por fora, por mensagem direto ao desenvolvedor, sem passar pelo dono do projeto. E o oposto: ciclos que terminam sem nada para ver, só com a promessa de que na próxima fase vai aparecer.

Ambiente de teste, validação com dado real e treinamento

Validação com dado real

O que acontece. Cada versão é validada no ambiente de teste com os dados reais da empresa: a planilha de verdade importada, com as linhas tortas, os campos em branco e o cliente cadastrado duas vezes. O exemplo bonito da demonstração esconde justamente os problemas que vão aparecer no primeiro dia de uso.

Quando a cópia de teste contém dado pessoal, ela merece o mesmo cuidado da produção: acesso restrito a quem está no projeto e nada além do necessário. A LGPD, no artigo 46, pede medidas de segurança desde a fase de concepção do produto, e o ambiente de teste faz parte dessa fase.

O que a empresa decide. Quem testa. Basta uma pessoa que conheça a rotina e tenha algumas horas por semana, mas precisa ser alguém que faz o trabalho no dia a dia.

O que costuma dar errado. Testar só o caminho normal, ou testar com cinco registros quando a operação tem cinco mil. Lentidão, duplicidade e regra que falha no caso raro só aparecem com o volume e as exceções da operação real.

Treinamento

O que acontece. A equipe aprende a usar o sistema antes da troca, de preferência no próprio ambiente de teste, com casos tirados do dia a dia. Um guia de uso curto fica como referência.

O que a empresa decide. Quando liberar a equipe e quem será a referência interna, a pessoa a quem os colegas perguntam primeiro.

O que costuma dar errado. Treinar todo mundo de uma vez, numa apresentação, semanas antes da implantação. Quando o sistema entra em uso, ninguém lembra mais.

Migração de dados e ida para produção com caminho de volta

Migração de dados

O que acontece. Os dados da planilha ou do sistema antigo são limpos, padronizados e importados. Duplicidades são resolvidas, formatos são unificados e os totais são conferidos antes e depois da carga: número de clientes, saldo em aberto, pedidos do mês.

O que a empresa decide. Que histórico vem junto (tudo, os últimos anos ou só o que está em aberto) e quem confere os números.

O que costuma dar errado. Deixar a migração para a última semana. Ela costuma ser ensaiada mais de uma vez no ambiente de teste antes da carga definitiva.

Ida para produção

O que acontece. O sistema passa a ser o lugar oficial do processo. Há uma data combinada, um backup completo antes da troca e alguém acompanhando de perto a primeira semana. Em alguns processos vale manter planilha e sistema em paralelo por poucos dias, conferindo os números; em outros, o paralelo só dobra a digitação.

O que a empresa decide. A data, longe do fechamento do mês e da semana de mais movimento, e por quanto tempo a planilha antiga fica disponível só para consulta.

O que costuma dar errado. Subir sem caminho de volta. Se a versão nova se comporta mal com a operação rodando, a equipe precisa voltar à anterior de forma planejada, e não improvisar enquanto os pedidos se acumulam. Antes da troca, confira se o backup restaura de verdade; o texto sobre backup e teste de restauração mostra como. Nas nossas entregas, a versão anterior fica guardada, o retorno do banco de dados é escrito antes da atualização e a reversão se faz em um comando.

Suporte, manutenção e evolução depois da entrega

O que acontece. Sistema em uso nunca fica pronto. Há correção do que aparece com o uso, atualização de segurança das bibliotecas, ajuste por mudança de regra fiscal ou comercial e funções novas pedidas por quem usa. Cada versão nova passa pelo mesmo ambiente de teste antes de chegar à equipe. O monitoramento do sistema avisa quando algo sai do ar antes de o cliente reclamar.

O que a empresa decide. Por onde os pedidos de mudança entram (um canal só, priorizado pelo dono do projeto), o que conta como urgente e qual modelo de contrato cobre a manutenção.

O que costuma dar errado. Tratar a entrega como o fim do projeto e deixar o sistema um ano sem atualização. As correções de segurança acumuladas viram uma atualização grande e arriscada. Outro erro frequente é o código e a documentação ficarem só com o fornecedor; o texto sobre como escolher uma software house lista o que exigir em contrato para isso não acontecer.

Como se preparar para o primeiro projeto de sistema

Antes da primeira conversa com qualquer fornecedor, separe:

  • uma descrição do processo em uma página, com quem faz cada etapa;
  • as planilhas e os documentos que circulam hoje, mesmo desorganizados;
  • a lista dos sistemas que continuam e de quem tem acesso administrativo a cada um;
  • o nome do dono do projeto e de quem vai testar as versões;
  • o trecho do processo que mais custa hoje, candidato à primeira versão.

Com esse material, a conversa inicial já começa como diagnóstico, e as etapas seguintes andam mais rápido. É por ele que começamos no desenvolvimento de sistemas sob medida da Locomotiva Tech, e quando o diagnóstico mostra que uma integração ou um software pronto resolve o problema, a proposta segue esse caminho em vez de um sistema novo.

Dúvidas

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para desenvolver um sistema sob medida?
Depende do tamanho da primeira versão, do número de integrações e do estado dos dados a migrar. Um prazo confiável sai depois do levantamento e vale para a primeira versão, não para o sistema inteiro, que continua evoluindo em versões menores. Prazo dado antes de alguém conhecer o processo é chute.
Qual a diferença entre o método cascata e o método ágil?
No método em cascata, cada fase termina antes de a próxima começar, e o sistema só aparece funcionando no fim. Nos métodos ágeis, o trabalho é dividido em ciclos curtos, com uma versão utilizável a cada ciclo e prioridades revistas no caminho. Em sistemas de operação, em que as exceções só aparecem com o uso, os ciclos curtos reduzem o risco de descobrir tarde que algo foi mal entendido.
Preciso ter alguém de TI na empresa para acompanhar o projeto?
Não necessariamente. O papel indispensável é o de dono do projeto: alguém que conhece o processo, decide as prioridades e responde às dúvidas. Um técnico ajuda a liberar acesso aos sistemas que continuam e a avaliar a documentação, e pode ser um consultor de fora.
O que é MVP no desenvolvimento de um sistema?
MVP, sigla em inglês para produto mínimo viável, é a primeira versão com o mínimo necessário para resolver um problema real e ser usada no dia a dia. Ela serve para confirmar com uso de verdade que o processo foi bem entendido antes de investir no restante. Não se confunde com protótipo: o MVP já roda em produção.

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